Graziela Giusti Pachane

VAZIO SIMPLES

O vazio não existe. É sempre cheio.

Cheio de coisa invisível

Que a gente joga pra lá.

Só não enxerga.

Lá tem dor, tem mágoa, amargura,

Sentimento de inferioridade.

Tem amor, alegria, ternura.

Às vezes, aparece até

Um pouco de felicidade.

Mas vazio, vazio mesmo, não existe.

Tá cheio de pensamento, emoção,

Sentimento, culpa, raiva, remorso, inveja.

Coisa que a gente finge que não vê,

Tem gente que finge mesmo

Que não sabe nem o que é.

Outros dizem que lá dentro

Só tem coisa boa:

Força, esperança, perdão

E um grande bocado de fé.

Será verdade?

Quando o vazio transborda,

De uns vem grito, de outros lágrima,

Xingamento, até maldição.

Mais raro é palavra de amor,

Incentivo, gratidão.

Mas isso é vazio de gente.

Que é bicho complicado.

Fico me perguntando como será

Vazio de bicho bicho

Que é criatura simples.

Poema publicado inicialmente na Antologia Versos do Invisível, publicada pela Editora Hope (Araras, 2026. Organização de Jéssica Milatto)

Receba notificações com as publicações do seu gênero favorito!
Se você quer ler e ficar por dentro de todas as publicações de seu gênero favorito, inscreva-se aqui

Conteúdo Relacionado