Contexto: Escrevi este rap em 2001, a partir de reflexões sobre a violência realizadas com alunos de Jornalismo na disciplina de Prática de Leitura e Produção de Textos, no ISCA Faculdades, em Limeira. Na época, alguns estudantes afirmavam que conseguiam produzir apenas textos dissertativos para discutir questões sociais. O poema nasceu como uma tentativa de mostrar outras possibilidades de linguagem. Mais tarde, transformou-se também em uma poesia-objeto, construída sobre um fragmento de telha de amianto com inscrições vermelhas, em uma proposta que buscava materializar visualmente a aspereza, o risco e as marcas da violência presentes no texto.
no topo da minha vivência
eu já vivi a decadência
o que me sobra é só carência
eternamente dependência
não importa a descendência
muito menos a ascendência
mesmo sem essa tendência
tudo inspira à violência
eu já perdi a paciência
só ouvi maledicência
no meio dessa indecência
eu já perdi a consciência
e sempre nessa seqüência
nóis esquece da prudência
mundo pra gente é penitência
tudo incita violência
você me pede paciência…
e vive nessa indecência
você me pede consciência
e lucra com minha falência
o que me dá é decadência
o que me pede é violência
você me pede violência
o que me resta é violência
eu já perdi a paciência
você me pede VIOLÊNCIA