Graziela Giusti Pachane

ESPÍRITO VAGANTE

Silêncio, vento, cheiro de grama,
Verde e azul se confundem no céu.
Um som sibilante ecoa cada vez mais profundo.

Fantasmas passam em sombras brancas de gelo
E eu sinto frio. Estou sozinha.

Posso ouvir a voz dos tempos…
Elas trazem histórias,
contam mentiras.

Cantam músicas que não posso compreender.
Olham-me — e me acham estranha.

Como o melancólico salgueiro solitário,
permaneço.

Tortuosa e densa, apreciando sons:
sinos, cordas, flautas lançam seus encantos.

Persigo gestos, vislumbro olhares.
E eu mesma, muda,
incapaz de me mover ou me expressar.

Errática em meu silêncio hostil,
estremece em mim o desejo
de ser apreendida, sentida, tocada.

De transcender o corpo, atravessar o espaço,
ser invisível e viajar ao vento.

O desejo de ser, simplesmente… música.

.

Publicado inicialmente na antologia O silêncio que ecoa em mim, ed. Hope, 2024.

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