Silêncio, vento, cheiro de grama,
Verde e azul se confundem no céu.
Um som sibilante ecoa cada vez mais profundo.
Fantasmas passam em sombras brancas de gelo
E eu sinto frio. Estou sozinha.
Posso ouvir a voz dos tempos…
Elas trazem histórias,
contam mentiras.
Cantam músicas que não posso compreender.
Olham-me — e me acham estranha.
Como o melancólico salgueiro solitário,
permaneço.
Tortuosa e densa, apreciando sons:
sinos, cordas, flautas lançam seus encantos.
Persigo gestos, vislumbro olhares.
E eu mesma, muda,
incapaz de me mover ou me expressar.
Errática em meu silêncio hostil,
estremece em mim o desejo
de ser apreendida, sentida, tocada.
De transcender o corpo, atravessar o espaço,
ser invisível e viajar ao vento.
O desejo de ser, simplesmente… música.
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Publicado inicialmente na antologia O silêncio que ecoa em mim, ed. Hope, 2024.